Reprodução/O Presente (Toledo)Política lidera associação a fake news no Brasil, aponta pesquisa do Aláfia Lab
Levantamento realizado com 1.512 brasileiros revela que 43% dos entrevistados associam a circulação de notícias falsas a temas políticos e eleitorais, mais do que a qualquer outro assunto. Saúde, economia e celebridades aparecem na sequência.
A pesquisa é do Aláfia Lab, laboratório independente de estudos sobre internet, comunicação e sociedade, e foi obtida em primeira mão pelo g1. O estudo utilizou perguntas de autodeclaração — ou seja, os resultados refletem a percepção dos próprios participantes —, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
Para a coordenadora de pesquisa do Aláfia Lab, Vivian Peron, a desinformação se tornou uma "arma política" e tem dado o tom das eleições.
A maioria dos entrevistados afirma conseguir identificar fake news, mas ainda com insegurança: 58% dizem reconhecê-las "com dúvidas em alguns casos", 29% afirmam fazer isso "com facilidade" e 13% declaram não saber identificar desinformação. Homens, jovens, pessoas com maior escolaridade e eleitores de esquerda estão entre os que relatam maior facilidade no reconhecimento.
Ao comparar os espectros ideológicos, eleitores de esquerda recorrem mais a agências de fact-checking — 24% contra 13% entre os de direita. Por outro lado, eleitores de direita relatam encontrar mais fake news sobre política e eleições: 55%, ante 48% entre os de esquerda. Vivian Peron aponta que outros estudos já demonstraram que grupos de extrema direita têm se mostrado mais ativos na produção desse tipo de conteúdo, o que pode indicar maior exposição de pessoas situadas mais à direita do espectro ideológico à desinformação.
A percepção de fake news sobre política também cresce com a idade e a escolaridade. Entre pessoas com 45 anos ou mais, 47% relatam encontrar desinformação sobre o tema, índice que cai para 35% entre jovens de 18 a 29 anos. Entre entrevistados com ensino superior, metade afirma encontrar notícias falsas sobre política; entre quem tem ensino fundamental, o percentual é de 34%.
Diante de uma informação suspeita, quase metade dos brasileiros — 47% — afirma simplesmente ignorar o conteúdo. Outros 32% procuram verificar a veracidade da informação, e apenas 10% dizem denunciá-la às plataformas.
O levantamento também mapeou o uso de inteligência artificial. O ChatGPT é o chatbot mais utilizado: 42% dos entrevistados afirmam já ter usado a ferramenta, contra 25% que citam o Gemini. O uso do ChatGPT é mais alto entre eleitores de direita (53%), enquanto o uso diário de IA de forma ampla é mais frequente entre eleitores de esquerda (39% contra 26% entre os de direita). As finalidades também variam: pessoas de direita usam mais IA para criar imagens, vídeos e aprender; as de esquerda recorrem mais às ferramentas para checar fake news.
Fonte: O Presente