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Grupo de oração do PR diz ter sido vítima de mulher que se passou por criança doente

Integrantes de um grupo de oração de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, afirmam ter sido enganados em 2021 por Amanda Maria Souza de Oliveira, a mesma mulher presa em Joinville (SC) por fingir ser uma adolescente. Com a prisão dela, a Polícia Civil do Paraná reabre as investigações do caso.

17 de junho de 2026 às 12:01✓ Verificadafonte citada e linkada
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O grupo relata que, durante o período da pandemia, Amanda ingressou em suas reuniões online se apresentando como "Emily", uma menina de 13 anos com câncer terminal. Por cerca de dez meses, ela teria narrado histórias de doença, abandono, violência e mortes na família, conquistando profundo vínculo afetivo com os participantes.

"Nós tínhamos um grupo de oração na época do Covid e nós nos reuníamos online. Então ela surgiu, dizendo que era uma criança de 13 anos, que estava em fase terminal, e ela queria que nós orássemos para que ela morresse, porque a mãe dela vivia no hospital por conta dela, e ela queria morrer para que a mãe pudesse descansar. Nós ficamos atônitos: como é que uma criança de 13 anos pede para morrer? Então a gente se envolveu nessa história", relatou uma das vítimas, que preferiu não se identificar.

A trama foi se tornando mais elaborada ao longo dos meses. Segundo a advogada que representa as vítimas, Amanda alegou precisar de transplante de medula, narrou a morte da mãe em acidente de carro, disse sofrer agressões do pai e afirmou que o câncer havia evoluído para metástase. A notícia-crime apresentada às autoridades detalha que, durante uma suposta internação, a suspeita relatou ter sido estuprada no hospital e ter tido um braço amputado.

A farsa começou a ser descoberta quando ela passou a solicitar dinheiro ao grupo. Desconfiados, os integrantes buscaram registros de internação nos hospitais mencionados por ela e não encontraram nada. A confirmação veio durante uma videochamada: uma participante pediu para falar com uma suposta tia da adolescente e reconheceu que a pessoa na tela era a mesma que se passava por "Emily". Pressionada, Amanda admitiu ser uma mulher adulta e que havia inventado toda a história.

O impacto emocional foi intenso para as vítimas. Uma delas tatuou o nome "Emily" no pulso durante o período em que acreditou na história — a tatuagem foi removida após a descoberta do golpe. "Comigo foi muito cruel, minha cunhada tinha acabado de falecer. O que eu perdi de vida, de emocional, de psicológico, ninguém vai restaurar. Ela chamava os meus filhos de irmão. Meus filhos chamavam ela de irmã e gravavam vídeos e áudios para ela todos os dias", desabafou outra integrante do grupo.

Um Boletim de Ocorrência foi registrado em 2022 e um inquérito foi aberto em dezembro do mesmo ano, mas as investigações não chegaram à autoria do crime na época. Com a prisão de Amanda em Santa Catarina, a Polícia Civil do Paraná (PCPR) informou que intimará as vítimas de Colombo para o reconhecimento da suspeita. "Com o surgimento de novas informações a partir da prisão ocorrida em Santa Catarina, a PCPR intimará as vítimas de Colombo para que façam o procedimento de reconhecimento da suspeita", declarou a corporação.

A advogada contratada pelo grupo afirmou que pediu a integração das apurações com outros estados onde Amanda também é investigada. Em depoimento à Polícia Civil catarinense, a suspeita confessou ter aplicado o mesmo golpe em outros cinco estados: Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará. Em Santa Catarina, ela viveu por 14 meses na casa de uma família após se apresentar inicialmente como adulta e, depois, afirmar ter apenas 11 anos. O g1 procurou a defesa de Amanda e aguardava resposta até a publicação da reportagem.

Fonte: G1 Paraná

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