Reprodução/Bem ParanáFrentes frias trazem espécies migratórias ao Litoral do Paraná e ampliam monitoramento da UFPR
Com a chegada das frentes frias, o litoral paranaense passa a receber pinguins, lobos-marinhos, baleias e outras espécies migratórias vindas do sul, norte e leste. A equipe do LEC-UFPR intensifica o monitoramento e o atendimento aos animais encalhados na costa.
Todos os anos, no período de frio, o Litoral do Paraná se torna ponto de parada ou passagem de diversas espécies migratórias. Entre as registradas nesta época estão os pinguins-de-Magalhães (*Spheniscus magellanicus*), petréis-gigantes (*Macronectes giganteus*), lobos-marinhos (*Arctocephalus australis* e *Arctocephalus tropicalis*), baleias-jubarte (*Megaptera novaeangliae*) e baleias-franca (*Eubalaena australis*), que utilizam a costa brasileira em suas rotas migratórias reprodutivas.
A presença dessas espécies é considerada natural para a estação, mas parte dos animais pode chegar à costa com sinais de exaustão, debilidade ou marcas de interações com atividades humanas, necessitando de atendimento especializado. Fatores como mudanças climáticas, sobrepesca, escassez de alimento, poluição e perda de habitats também influenciam os deslocamentos e a saúde dos animais.
"Somos um ponto de parada ou passagem muito importante das rotas migratórias no oceano Atlântico, e é comum observarmos a presença de diferentes espécies migradoras no litoral do Paraná durante este período. As ocorrências são sazonais, mas muitos desses animais chegam à costa em condições que demandam atenção, exigindo cuidados especializados e um olhar atento para as ações integradas entre pesquisa, gestão e sociedade para promover a conservação das espécies e o uso sustentável dos recursos marinhos", declarou Camila Domit, coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR e professora da UFPR.
A equipe multidisciplinar do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR (LEC-UFPR), executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no Paraná, realiza monitoramentos diários ao longo das praias paranaenses. Animais resgatados são encaminhados ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD) da UFPR, onde passam por avaliação clínica, exames laboratoriais, suporte nutricional e tratamentos específicos até apresentarem condições de retornar ao ambiente marinho.
"Muitos dos animais encontrados durante esse período chegam após percorrer milhares de quilômetros e é comum encontrarmos os indivíduos debilitados por diferentes fatores associados ao processo migratório. Por isso é importante o atendimento rápido e adequado, para aumentar as chances de recuperação e permitir que retornem ao ambiente marinho em melhores condições", afirmou Andressa Rorato, médica-veterinária do PMP-BS/LEC-UFPR.
A conservação dessas espécies faz parte dos compromissos internacionais do Brasil. Em 2026, o país sediou reunião da Convenção de Espécies Migratórias (CMS), ocasião em que foram firmadas e fortalecidas resoluções voltadas à proteção dessas espécies.
A população tem papel importante no processo: ao encontrar um animal marinho encalhado — vivo ou morto —, a orientação é não tocar, não tentar devolvê-lo ao mar, não oferecer alimento ou água, manter distância, afastar animais domésticos e acionar imediatamente a equipe responsável pelos números 0800 642 33 41 ou (41) 99213-8746.
Fonte: Bem Paraná