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Yellow Cake abre o Olhar de Cinema 2026 com ambição visual e roteiro apressado

Dirigido por Tiago Melo e escolhido para abrir a edição 2026 do Olhar de Cinema, Yellow Cake mistura ficção científica, crítica política e lendas regionais em uma distopia ambientada no sertão da Paraíba — mas esbarra em um roteiro que corre contra o próprio fôlego.

5 de junho de 2026 às 18:26✓ Verificadafonte citada e linkada
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Ambientado em Picuí, no sertão da Paraíba, o longa parte de uma premissa incomum: cientistas tentam erradicar o mosquito da dengue por meio de um experimento com urânio extraído da região. Quando o plano sai do controle, a pesquisadora Rúbia Ribeiro — vivida por Rejane Faria — precisa enfrentar uma catástrofe que combina ficção científica e elementos do imaginário popular.

O filme foi dirigido e coescrito por Tiago Melo, e aposta na junção de comentário político com um olhar particular sobre lendas regionais. Um dos aspectos mais destacados da produção é justamente sua qualidade técnica: enquadramentos ousados, construção visual cuidadosa, maquiagem que reforça a atmosfera distópica e edição de som descrita como uma das grandes forças do longa.

Essa segurança de linguagem, porém, convive com um roteiro que tenta cobrir a origem do problema, a devastação do experimento e sua resolução em pouco mais de uma hora e meia. O resultado é uma sensação constante de urgência que nem sempre favorece o desenvolvimento dramático — o filme tende a avançar para o próximo acontecimento antes que o anterior tenha amadurecido.

No campo das atuações, Rejane Faria sustenta a narrativa como rosto central do projeto, embora o próprio filme pareça limitar parte de suas possibilidades dramáticas. Tânia Maria, por sua vez, é apontada como presença magnética e espontânea, capaz de dominar as cenas em que aparece, mas com participação considerada breve demais.

Os personagens estrangeiros, em contraste, ficam reduzidos a funções narrativas básicas — mais prenúncio da tragédia do que figuras propriamente complexas —, o que torna alguns diálogos excessivamente mecânicos.

Ainda assim, o longa deixa impressão positiva em relação ao seu realizador. Yellow Cake demonstra imaginação e coragem criativa, e Tiago Melo é apontado como um nome a ser acompanhado dentro da ficção científica brasileira. O filme recebeu três estrelas em cinco na avaliação publicada pelo Bem Paraná.

Fonte: Bem Paraná

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