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História

TCC transforma em livro a história das pioneiras da primeira torcida feminina do Brasil

Cinco irmãs de Sorocaba que fundaram a torcida organizada do São Bento nos anos 1970 têm sua trajetória resgatada em trabalho de conclusão de curso de dois estudantes de jornalismo.

14 de junho de 2026 às 17:10✓ Verificadafonte citada e linkada
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Em um Brasil dos anos 1970 em que mulheres não eram bem-vindas às arquibancadas, as irmãs Zezé, Paula, Rosa, Marina e Maria Helena Ramalho, de Sorocaba, foram além: criaram a primeira torcida organizada do São Bento e a primeira fundada por mulheres no país. Quase 50 anos depois, essa história ganhou forma de livro no TCC intitulado "Irmãs Ramalho: futebol no DNA".

O trabalho é assinado por Fabrício Rocha e Maria Eduarda Baddini, alunos de jornalismo de Sorocaba. Em pouco menos de um ano de pesquisa, os estudantes relatam que descobriram histórias que vão além do clube do interior paulista.

Uma delas envolve a chamada "Invasão corintiana" de 1976, quando a torcida do Corinthians ocupou o Maracanã para a semifinal do Campeonato Brasileiro contra o Fluminense. As irmãs Ramalho estavam lá e abriram uma faixa com os dizeres "o Esporte Clube São Bento apoia o Timão" no meio de uma multidão estimada em mais de 100 mil pessoas. Segundo Fabrício, elas descrevem ter ouvido, na sequência, o maior coro já dedicado ao nome do São Bento.

O livro também narra um episódio ligado à morte de José Barbosa Beraldo, presidente do clube assassinado em 1975. Após o ocorrido, o time teria entrado em sequência de mais de 20 derrotas. Um editor de esportes da época atribuiu os resultados à ausência de foto de Beraldo na galeria de ex-presidentes. Foi Maria Helena quem, de forma discreta, providenciou o enquadramento e pendurou a imagem no local — e o São Bento venceu o jogo seguinte. Segundo as irmãs, até hoje quase ninguém sabe como a foto foi parar ali.

Outra descoberta dos pesquisadores foi uma foto "proibida" das torcedoras publicada na revista Placar em maio de 1977. O registro foi feito em uma partida contra o XV de Piracicaba realizada sem torcida, por conta de conflitos recentes entre dirigentes dos dois clubes. Rosa e Maria Helena entraram no estádio e foram flagradas pelo fotógrafo da publicação. As irmãs acreditavam que a imagem estava perdida para sempre.

A torcida fundada pelas Ramalho se chama Tira Prosa. Para Fabrício e Maria Eduarda, o livro tem o objetivo de tornar permanente e acessível o legado das cinco mulheres. Eles destacam que a história ficou guardada como um segredo no interior de São Paulo, em parte porque as irmãs sempre priorizaram o clube em detrimento de qualquer protagonismo pessoal.

O projeto foi orientado pelo professor Rodrigo Gabrioti, que afirmou ser o TCC "um presente para Sorocaba e para as Irmãs Ramalho" e manifestou o desejo de que o trabalho venha a se tornar um livro publicado comercialmente.

Fonte: GE

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