Reprodução/O Diário de MaringáNR-1 amplia obrigações das empresas sobre saúde mental e coloca líderes no centro da prevenção
As novas exigências da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) obrigam empresas a identificar riscos psicossociais, agir preventivamente e avaliar o impacto da liderança na saúde mental dos trabalhadores. Para especialista, a mudança vai além do cumprimento formal de regras.
A entrada em vigor das novas exigências da NR-1 muda a forma como as organizações devem tratar a saúde mental no ambiente de trabalho. Além de cumprir regras formais, as empresas passam a ter a responsabilidade de identificar riscos psicossociais e avaliar como o comportamento das lideranças afeta a rotina dos colaboradores.
Susana Oliveira, fundadora do programa de aceleração para líderes New Human Leadership, avalia que os gestores são responsáveis por grande parte das experiências vividas pelos profissionais dentro das empresas. Para ela, a prevenção começa antes mesmo do que determina a norma. "A empresa precisa observar como a liderança conduz as equipes e se esse comportamento favorece um ambiente saudável", afirma.
A especialista também critica a visão de que a saúde mental é responsabilidade exclusiva do setor de Recursos Humanos. Segundo ela, o RH pode executar programas e organizar treinamentos, mas cabe à alta liderança — presidentes, diretores e gestores — assumir a condução da cultura organizacional. "Se a empresa não avalia o comportamento dos líderes, a estratégia pode falhar", explica.
Entre os principais sinais de alerta para riscos psicossociais, Susana cita queda de engajamento, redução de produtividade, mudança de comportamento, afastamentos e casos de burnout. Ela destaca que esses problemas costumam surgir de forma silenciosa: primeiro o colaborador muda a postura, depois perde desempenho e, por fim, pode chegar ao afastamento. "Muitas vezes, mesmo sem intenção, o líder gera pressão excessiva", observa.
Outro ponto abordado pela especialista é a relação entre segurança psicológica e resultados. Para ela, o modelo baseado em pressão constante desgasta as equipes sem garantir desempenho sustentável. A alternativa seria criar ambientes com planejamento, previsibilidade e combinados claros. "O resultado pode vir de forma consistente, sólida e sustentável. Ele não precisa depender apenas de pressão", destaca.
Susana também aponta a Inteligência Artificial Generativa como uma ferramenta capaz de reduzir tarefas repetitivas e a sobrecarga das equipes. No entanto, alerta que a tecnologia deve ser incorporada dentro de uma estratégia clara, com definição objetiva de tarefas, prazos, responsabilidades e limites.
Com as novas regras da NR-1, práticas como excesso de cobrança, sobrecarga e ausência de espaço seguro para diálogo podem gerar consequências para as empresas. Para a especialista, a resposta mais adequada não é agir por medo de punição, mas investir na prevenção. "Não basta avaliar apenas o resultado. É preciso entender como ele foi construído e quais impactos esse caminho gerou nas pessoas", conclui Susana Oliveira.
Fonte: O Diário de Maringá