Reprodução/aRede (Ponta Grossa)Morte de mais de mil bovinos Nelore em confinamento acende alerta na pecuária
Surto de enterotoxemia causado pela bactéria Clostridium perfringens tipo A matou mais de mil bois e vacas da raça Nelore em um confinamento no Centro-Oeste brasileiro em novembro de 2025. O caso reacende o debate sobre os riscos sanitários dos sistemas intensivos de produção animal.
A morte de mais de mil bovinos da raça Nelore em uma operação de confinamento no Centro-Oeste brasileiro, ocorrida em novembro de 2025, trouxe à tona discussões sobre os limites sanitários e éticos da pecuária intensiva. O episódio, embora tratado por parte do agronegócio como prejuízo econômico, expôs a vulnerabilidade de animais submetidos a sistemas que priorizam ganho de peso e produtividade. As informações são da Agência de Notícias de Direitos Animais.
De acordo com análise técnica do médico-veterinário Enrico Ortolani, da Scot Consultoria, a causa das mortes foi uma enterotoxemia provocada pelo Clostridium perfringens tipo A, bactéria capaz de matar de forma súbita, frequentemente sem sinais clínicos anteriores. O surto se desenvolveu em uma operação com cerca de 20 mil animais confinados em sistema intensivo de engorda.
Os animais mais atingidos foram os chamados "campeões de cocho" — aqueles com maior consumo de alimento e maiores ganhos de peso. As investigações identificaram que, pouco antes do início das mortes, a dieta havia sido alterada para aumentar a quantidade de amido e de concentrado energético à base de milho.
O excesso de carboidratos rapidamente fermentáveis favoreceu a multiplicação da bactéria no intestino dos animais, desencadeando a produção de toxinas fatais. Em poucos dias, centenas de bovinos eram encontrados mortos, com severas lesões intestinais e intensa distensão abdominal.
Especialistas em bem-estar animal alertam há anos que a intensificação da pecuária eleva o risco de surtos sanitários, doenças metabólicas e sofrimento generalizado. A busca por maior eficiência econômica, segundo essas análises, frequentemente leva à adoção de estratégias nutricionais agressivas, colocando os animais em condições para as quais seus organismos não evoluíram.
Após o surto, a fazenda reduziu o teor de amido da dieta e realizou vacinação emergencial contra a bactéria, medidas que diminuíram a mortalidade. O episódio, no entanto, reforçou o debate sobre os modelos de produção baseados no confinamento em alta densidade e no uso intensivo de animais como unidades produtivas.
Fonte: aRede