Reprodução: RIC ParanáChanceler diz que EUA ignoraram argumentos do Brasil sobre tarifas
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quinta-feira (4) que o governo de Donald Trump desconsiderou os argumentos apresentados pelo Brasil nas duas investigações comerciais que resultaram na proposta de novas tarifas contra o país.
Em Paris, Vieira relatou ao Estadão detalhes de uma conversa que teve na véspera com o representante comercial dos Estados Unidos, o embaixador Jamieson Greer. O encontro ocorreu brevemente antes de uma sessão plenária da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O chanceler lembrou a Greer que o anúncio das recomendações em favor das novas tarifas se deu dentro do prazo de 30 dias que os presidentes Lula e Trump haviam estabelecido para buscar uma solução. Vieira ouviu do americano que ainda há espaço para negociação.
O governo Lula interpretou o anúncio das tarifas antes do fim do prazo acordado como uma decisão de caráter político da gestão Trump e como uma forma de pressão.
O USTR recomendou a Trump a aplicação de 25% de tarifas ao Brasil por supostas práticas desleais na relação bilateral, e mais 12,5% pela alegada falha em coibir efetivamente a importação de produtos fabricados com trabalho forçado. As duas apurações foram conduzidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, de 1974.
Sobre o desmatamento — um dos seis quesitos investigados pelos americanos —, Vieira afirmou que o Brasil reduziu pela metade, em 2025, a área desmatada na Amazônia Legal em relação a 2022, e citou levantamento do MapBiomas segundo o qual o desmatamento nos seis biomas brasileiros atingiu o menor nível nos últimos anos. "Em vez de tarifas, o que o governo norte-americano deveria fazer era nos dar os parabéns pela rápida e significativa redução nas taxas de desmatamento", disse o ministro.
No caso do etanol, os EUA se queixam de aplicar uma tarifa de 2,5% ao produto brasileiro enquanto o Brasil pratica uma de 18%. O governo brasileiro optou por vincular o tema às barreiras impostas ao açúcar nacional no mercado americano. "No caso do etanol, cabe lembrar que eles se queixam da nossa tarifa, mas cobram tarifa quatro vezes maior para importar o nosso açúcar", afirmou Vieira.
Fonte: RIC Paraná