Reprodução/RIC ParanáIPO da SpaceX pode chegar a US$ 1,75 tri, mas analistas apontam riscos
A abertura de capital da SpaceX, prevista para 12 de junho, pode avaliar a empresa em US$ 1,75 trilhão — cifra comparável ao PIB do Brasil. Apesar da euforia dos investidores, analistas alertam para contradições nos fundamentos financeiros da companhia.
A SpaceX, empresa de Elon Musk focada em lançamentos de foguetes e operação de satélites, deve estrear na bolsa de valores no dia 12 de junho, em um IPO aguardado com entusiasmo pelo mercado financeiro global. A avaliação esperada é de US$ 1,75 trilhão — número que, segundo análise publicada pelo Portal RIC, é "quase o tamanho do PIB do Brasil".
O problema, aponta o texto, está na relação entre esse valuation e os resultados financeiros reais da companhia. A SpaceX encerrou 2025 com receita de US$ 18,5 bilhões e prejuízo de quase US$ 5 bilhões. O valor de mercado projetado representa cerca de 95 vezes essa receita.
Para contextualizar a disparidade, a análise compara a SpaceX com a Amazon, avaliada em US$ 2,6 trilhões na bolsa — valor ligeiramente superior ao projetado para a empresa espacial. A diferença é que a Amazon registra receita de US$ 716 bilhões e EBITDA de US$ 165 bilhões, ou seja, fatura 39 vezes mais do que a SpaceX.
Outro ponto de atenção é a concentração de receita. A divisão Starlink, de internet via satélite, responde por cerca de US$ 10 bilhões dos US$ 18,5 bilhões faturados — mais da metade do total. Esse grau de dependência de um único serviço é apontado como vulnerabilidade, especialmente diante da concorrência crescente: a Amazon firmou acordo de US$ 11,6 bilhões para adquirir a Globalstar, e a OneWeb também disputa o mesmo mercado.
A figura de Musk é descrita simultaneamente como o maior ativo e o maior risco da companhia. O empresário divide atenção entre Tesla, Neuralink, The Boring Company, X, xAI e atuação na política americana. Analistas classificam a exposição à imagem pública de Musk como "risco reputacional" — algo que, segundo o texto, já gerou reflexos nos negócios da Tesla.
O entusiasmo em torno do IPO também acendeu alertas. Com o anúncio, ações de empresas menores do setor espacial dispararam em um único dia. A análise lembra que movimentos semelhantes de euforia coletiva estiveram na origem de bolhas financeiras anteriores, como a das empresas pontocom nos anos 2000 e a das SPACs em 2021.
A conclusão do texto é que ser uma empresa revolucionária não equivale a ser um bom investimento — especialmente quando o preço de entrada é elevado. A ressalva é reforçada com referência ao conceito do investidor Benjamin Graham, para quem uma excelente empresa pode destruir capital quando adquirida por um preço excessivo.
Fonte: RIC Paraná