Reprodução/Bem ParanáEx-boia-fria vende 25 kg de pipoca por dia na Praça Tiradentes e é apontado como o melhor do Brasil
Há 24 anos, Valdir Novaki e a esposa Lenice mantêm o Pipoca do Valdir na Praça Tiradentes, no Centro de Curitiba, com ingredientes selecionados, carrinho movido a energia solar e fidelidade total dos clientes.
Quem passa pela Praça Tiradentes, no Centro de Curitiba, de segunda a sexta-feira, entre o meio-dia e as 19 horas, encontra um carrinho de pipoca diferente dos demais. Desde 28 de agosto de 2002, Valdir Novaki e sua esposa Lenice estão ali com o negócio Pipoca do Valdir — 24 anos de presença quase diária no coração da capital paranaense.
Nascido em São Mateus do Sul, no interior do Paraná, Valdir chegou a trabalhar como boia-fria na juventude. Em 1989, mudou-se para Curitiba em busca de melhores condições de trabalho. Foi na capital que conheceu Lenice, que havia chegado de São Jerônimo da Serra, no norte do estado, no mesmo ano. Os dois estão juntos há 35 anos e têm um filho, Cristian, de 33 anos.
Por mais de uma década, Valdir trabalhou como balconista em uma banca de revistas. Durante 14 anos, guardou dinheiro para montar o próprio negócio. A escolha pela pipoca foi prática: o investimento inicial era menor do que o necessário para, por exemplo, um carrinho de cachorro-quente. Assim que obteve o ponto junto à Prefeitura de Curitiba, largou o emprego e se dedicou inteiramente ao ofício.
A cada dia, 25 quilos de milho são estourados no carrinho, nos sabores salgado — com palitos de bacon — e doce, feita com coco. O pacote grande é vendido a R$ 20 e o médio, a R$ 15. Nos dias de chuva, o casal opta por não trabalhar para preservar a qualidade do produto. "Entre perder a venda e o meu cliente, eu prefiro perder a venda no dia de chuva", afirma Valdir.
Os diferenciais do negócio passam pelos insumos: o bacon é da marca Aurora, cortado em palito pelo próprio Valdir; o milho utilizado é importado; e o coco é ingrediente real na pipoca doce. No atendimento, o casal usa um jaleco diferente para cada dia da semana. "Um uniforme pra cada dia demonstra que a gente tem respeito pelo nosso freguês", diz o pipoqueiro.
O carrinho também chama atenção. Em 2014, para a Copa do Mundo disputada no Brasil, Valdir investiu R$ 35 mil em um novo equipamento: totalmente elétrico, movido a energia solar e capaz de produzir os dois sabores ao mesmo tempo. Segundo ele, o investimento foi quitado em três meses.
O filho Cristian participou do negócio por quase 20 anos e foi o primeiro da família a se graduar — em Administração —, tendo o Pipoca do Valdir como tema de seu Trabalho de Conclusão de Curso. Valdir, que estudou somente até a quarta série do primário, chegou a atuar como palestrante sobre empreendedorismo, mas voltou a se dedicar inteiramente ao carrinho. Aos 56 anos, ele resume os planos para o futuro: "Vou continuar aqui enquanto Deus me der saúde."
Fonte: Bem Paraná