Reprodução/CGN CascavelDólar recua e fecha abaixo de R$ 5,15 com ajustes e operação do Banco Central
O dólar encerrou a sessão desta segunda-feira, 22, em queda de 0,45%, cotado a R$ 5,1415, após abrir a semana em baixa moderada com ajustes, realização de lucros e intervenção dupla do Banco Central no mercado cambial.
A moeda americana registrou mínima de R$ 5,1241 no início da tarde e devolveu parte da alta de mais de 2% acumulada na semana anterior. O movimento foi impulsionado pela redução do risco geopolítico, com as negociações entre Estados Unidos e Irã, e pela expectativa de um tom mais duro na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para esta terça-feira.
O Banco Central realizou uma intervenção dupla — chamada de "casadão" —, com venda de US$ 1 bilhão de moeda à vista e compra simultânea de US$ 1 bilhão em dólar futuro por meio de swaps cambiais reversos. Operadores do mercado não identificaram, no entanto, pressão relevante na taxa de juros em dólar nem sinais de disfuncionalidade no mercado cambial doméstico.
Para o diretor de Tesouraria do Travelex Bank, Marcos Weigt, a operação pode ter atendido a uma demanda pontual no segmento à vista e, ao mesmo tempo, contribuído para a redução do estoque de swaps cambiais. Ele observa que o cupom cambial se mantém em níveis "tranquilos" nas últimas semanas.
Weigt destaca que, desde o início de maio, o real perdeu valor frente a pares emergentes como o rand sul-africano (6%), o peso mexicano (5%) e o peso chileno (4,60%). Para ele, o movimento se deve à melhora do presidente Lula nas pesquisas eleitorais e à pressão sobre os juros longos nos Estados Unidos. Com a taxa de câmbio entre R$ 5,15 e R$ 5,20, o executivo afirma preferir ficar vendido em dólar frente ao real, dado o patamar ainda elevado dos juros brasileiros.
O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, atribui parte da pressão da semana passada sobre o real aos ruídos gerados pelo comunicado do Copom. Apesar do aumento dos riscos altistas para a inflação e da deterioração das expectativas, o comitê cortou a taxa básica em 0,25 ponto porcentual, para 14,25%, e antecipou considerações sobre o horizonte de 2028 de forma que não estava prevista para este encontro. "A expectativa é que a ata possa desfazer esse desconforto", afirmou Viotto, que projeta um dólar mais próximo de R$ 5,20 no curto prazo.
O economista-chefe da BGC Liquidez, Felipe Tavares, estima que o dólar oscile nesta semana entre R$ 5,15 e R$ 5,16, podendo variar entre R$ 5,06 e R$ 5,25. Ele avalia que o "casadão" do BC pode aliviar parte da pressão sobre o real, mas pondera que a volatilidade mais elevada traz mais risco ao negócio com a moeda brasileira.
No acumulado do mês, o dólar avança 1,96% frente ao real, após valorização de 1,82% em maio. No ano, as perdas da moeda americana — que chegaram a superar dois dígitos no início de maio, quando o câmbio rondava R$ 4,90 — agora são de 6,33%. O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, subia 0,18% no fim da tarde, acima dos 101.000 pontos, acumulando alta de mais de 2% em junho.
Fonte: CGN Cascavel