Reprodução: G1 ParanáCaso Isis: dois anos sem corpo e sem julgamento, família aguarda respostas da Justiça
Dois anos após o desaparecimento da adolescente grávida Isis Victória Mizerski, no Paraná, o réu Marcos Vagner permanece preso desde 2024, mas o processo segue sem data para julgamento, causando angústia à família da jovem.
Isis Victória Mizerski desapareceu no dia 6 de junho de 2024, em Tibagi, nos Campos Gerais do Paraná. Ela era adolescente e estava grávida de Marcos Vagner de Souza, um vigilante com quem havia se relacionado entre abril e maio daquele ano. Desde então, o corpo da jovem nunca foi encontrado.
O réu responde por homicídio triplamente qualificado — por feminicídio, dissimulação e motivo torpe —, além de ocultação de cadáver e aborto provocado sem o consentimento da gestante, com os crimes enquadrados no contexto de violência doméstica. Ele foi preso em 2024 e, em dezembro daquele mesmo ano, um juiz determinou que fosse a julgamento pelo Tribunal do Júri.
Entretanto, a defesa recorreu e o caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) em junho de 2025, onde permanece sob análise há um ano. Até a publicação da reportagem, não havia data marcada para o julgamento.
A mãe de Isis, Flávia Mizerski, expressou a dor de conviver com a ausência da filha sem ter o corpo para sepultar. "A saudade, a falta, tudo isso nunca vai passar. [...] É um pensamento de poxa vida, né, quanto tempo! Dois anos e nenhuma novidade diferente, algo diferenciado, não tem. [...] Porque eu tenho um atestado de óbito, mas eu não tenho corpo; então, aí é que entra a esperança", desabafou ela, em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná.
O tio da jovem, Rodrigo Mizerski, também falou sobre a lentidão do processo. "Se caso nós tivéssemos já encontrado [o corpo de Isis], se o Marcos já tivesse contado o que ele fez naquele dia talvez essa dor nossa diminuiria. [...] mas nós ficamos sem nada de respostas. E entendemos o lado da Justiça, como ela trabalha, mas assim: está sendo muito lento, né?! Porque faz dois anos, e são dois anos que nós não encontramos a Isis", avaliou.
No dia do desaparecimento, câmeras de segurança registraram o carro de Marcos trafegando em direção à PR-340 a partir das 18h05. Às 18h15, Isis enviou sua localização em tempo real para a mãe, que percebeu que a filha estava em uma região afastada do centro, na margem da rodovia. A mensagem foi apagada em seguida, e a jovem não respondeu mais às tentativas de contato. "Essa localização nós entendemos como um pedido de socorro", disse o tio Rodrigo.
Dias antes do desaparecimento, três testemunhas relataram à polícia que Marcos havia tentado comprar remédios abortivos em 4 de junho. O réu afirmou que quem pediu o medicamento foi Isis, mas familiares da jovem declararam que ela pretendia ter o bebê e já escolhia o nome da criança. O advogado da família, Cláudio Dalledone, afirmou que "não há notícia nenhuma entre familiares, amigos, que falem ou indique de que ela tenha consentido com a questão do aborto".
As buscas pelo corpo de Isis percorreram ao menos cinco mil hectares de mata entre Tibagi e Telêmaco Borba, sem sucesso. O rastreamento dos celulares de Isis e de Marcos indicou que ambos estiveram em uma área de mata de difícil acesso, próxima à estrada Mandaçaia, nos dias 7 e 8 de junho de 2024 — um e dois dias após o desaparecimento.
Fonte: G1 Paraná