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Caso da soda cáustica no PR: relembre o ataque a Isabelly e o julgamento dos acusados

Dois anos após jovem ser atacada com soda cáustica em via pública de Jacarezinho, ex-namorado e cúmplice serão julgados por tentativa de feminicídio. Ambos estão presos e confessaram o crime em depoimento.

17 de junho de 2026 às 17:10✓ Verificadafonte citada e linkada
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Na tarde de 22 de maio de 2024, Isabelly foi atacada enquanto caminhava em direção à academia, na Alameda Padre Magno, região central de Jacarezinho, no norte do Paraná. Uma mulher se aproximou, jogou um líquido sobre ela e fugiu. A substância foi posteriormente identificada pela polícia como soda cáustica. A executora usava peruca e roupas largas para não ser reconhecida.

Um barbeiro que viu a vítima correndo em busca de ajuda a levou ao hospital. Isabelly foi atingida no rosto e na região peitoral, sofrendo queimaduras de segundo grau na boca, cavidade orofaríngea, hipofaringe e tronco, além de lesões nos lábios e na cavidade oral. No hospital, desenvolveu quadro infeccioso, precisou ser intubada e sedada, e permaneceu internada por cerca de 30 dias no Hospital Universitário de Londrina.

Os acusados pelo crime são Marlon Ferreira Lemes, ex-namorado de Isabelly, e Débora Aparecida Custódio Ferreira, que na época era companheira dele. Segundo o Ministério Público, análise dos dados do celular de Débora revelou que Marlon planejou o ataque mesmo estando preso, convencendo-a a executá-lo.

Em depoimento, ambos confessaram o crime. Marlon admitiu ter planejado o ataque com Débora, dizendo que o objetivo era dar um "susto" em Isabelly. Débora confirmou ter praticado o ataque e relatou que Marlon comprou a soda cáustica antes de ser preso, pesquisou sobre o produto e a orientou a se disfarçar. Em depoimento, ela declarou: "Ele queria jogar a soda nela para deixá-la feia."

O juiz Renato Garcia entendeu que houve tentativa de feminicídio e reconheceu três agravantes: recurso que dificultou a defesa da vítima, pelo uso de disfarce e abordagem surpresa; motivo torpe, diante do sentimento de posse e vingança de Marlon pelo término do relacionamento, e ciúmes e inveja por parte de Débora; e meio cruel, pela utilização de soda cáustica, produto químico altamente tóxico e corrosivo.

O caso será analisado pelo Conselho de Sentença, que decidirá se as qualificadoras foram comprovadas. Durante o julgamento, testemunhas e a vítima serão ouvidas, e os acusados poderão ser interrogados. O advogado de acusação, Ilton Inácio, informou que serão utilizadas as provas testemunhais já presentes nos autos.

A defesa de Marlon, representada pela advogada Tatiane Souza Paiva, sustenta que não há provas que demonstrem a participação do acusado nos fatos e que o caso não reúne elementos que caracterizem tentativa de feminicídio. Já o advogado Jean Campos, que defende Débora, afirmou que o julgamento será a oportunidade de apresentar um histórico de violências físicas, psicológicas e emocionais que ela teria sofrido de Marlon ao longo dos anos, e que durante o processo a cliente obteve uma medida protetiva contra o ex.

Fonte: G1 Paraná

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